Registro

Na sala de aula

Onde os documentários sobre envelhecimento chegaram ao ensino brasileiro, com fonte, página e link.

Um documentário não termina quando estreia, depois disso ele passa a viver por conta própria, ele reverbera continuamente e nem sempre, infelizmente, eu consigo acompanhar pra onde ele vai ou por onde ele anda.

Esta página existe por isso. Reúne os casos que consegui verificar, em que os filmes viraram material de ensino e objeto de pesquisa no Brasil, cada um com a fonte que permite conferir. Onde falta informação, está dito o que falta.

Cada um desses casos partiu de um professor, de um autor de livro ou de um estudante. Nenhum deles foi pedido meu, foi reverberação natural da obra.

Professores, coordenadores e editoras encontram, no fim da página, o que já está disponível para uso em sala de aula, de graça.


I

Livro didático nacional

Ensino Fundamental · 8º ano

Panoramas, Língua Portuguesa

FTD Educação, obra coletiva. Editora responsável: Luciana Pereira. Autoras: Carmen Adriana Rosa e Célia Ribeiro. Biênio 2025-2026. Páginas 106 e 107, seção Diálogo entre textos.

Envelhescência é o texto base de uma atividade de compreensão leitora. O livro reproduz a reportagem publicada sobre o lançamento do filme, em maio de 2015, e constrói sobre ela sete questões, com respostas orientadas ao professor.

As questões pedem que o estudante relacione o documentário ao Estatuto da Pessoa Idosa, avalie sua contribuição ao combate ao etarismo e deduza a intenção por trás da presença dos pesquisadores entrevistados. A última manda o aluno procurar uma pessoa idosa do próprio convívio e ouvir sua história.

Uma fotografia do set integra a página 106, publicada com crédito ao diretor.

A editora chegou ao filme pela reportagem, acessada em fevereiro de 2025. O texto que os alunos estudam hoje é o da imprensa de dez anos atrás. O alcance da coleção está em apuração junto à editora.


II

Currículo estadual

Ensino Médio · 3º ano

Amadurecimento e Longevidade

Aprofundamento nas 4 Áreas do Conhecimento. Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais, 2024. Parte diversificada do Currículo Referência de Minas Gerais.

Envelhescência é indicado no documento oficial que orienta o Itinerário Formativo do 3º ano da rede estadual mineira. Entra pelo componente Saberes e Investigação da Natureza, dentro de Ciências da Natureza.

  • Página 61. O filme é a primeira estratégia de ensino do primeiro bimestre, o material sugerido para abrir o macrotema.
  • Página 62. A avaliação do bimestre pede que os estudantes produzam um minidocumentário próprio, tendo como base o documentário assistido na primeira estratégia.
  • Página 70. O filme entra na bibliografia do bimestre, em norma ABNT, ao lado de dissertações de mestrado e de artigos científicos.

Outros dois documentários aparecem no material, ambos em Humanidades e como ilustração pontual. Envelhescência é o único que abre um componente, orienta a avaliação e integra a bibliografia.

O documento apresenta o filme como sugestão ao professor. Cada escola decide se usa.


III

Ensino superior

Três livros universitários, de três editoras diferentes, sem relação entre si.

Enfermagem

Assistência de Enfermagem na Saúde do Idoso

LIMA, Janaína Ferreira de. Multivix, 2024.

O filme é a segunda referência da bibliografia de uma unidade, entre um documento da Secretaria de Estado da Saúde do Paraná e o Saúde do Idoso, do NESCON/UFMG, que é bibliografia corrente da geriatria brasileira.

Políticas públicas

Políticas Públicas da Terceira Idade

JOFFER, Suzana da Cunha. IESDE Brasil. Página 16.

O filme ocupa um boxe intitulado "Documentário", que o recomenda ao estudante. O boxe fica ao lado de um trecho sobre assistência social que defende romper com os discursos do senso comum sobre a velhice.

excelente reflexão sobre a velhice, suas angustias, patologias e estereótipos

Políticas Públicas da Terceira Idade, p. 16
Psicobiologia e bioética

Fundamentos Psicobiológicos e Bioéticos no Envelhecimento

MONTEZELI, Débora Luiza; PRESTES, Fabiana da Silva; CELEBRONE, Regina Celia; SALES, Willian Barbosa. Editora Intersaberes.

O filme ocupa um boxe intitulado "Luz, câmera, reflexão!", com a mesma função: recomendar a obra ao estudante, com a referência em norma ABNT logo abaixo.

Duas editoras distintas, autores que não se conhecem, colocaram o filme na mesma posição editorial: o boxe em que o livro pede ao aluno que assista a alguma coisa.


IV

O filme como objeto de pesquisa

Periódico universitário

Novos Olhares, ECA/USP

DANTAS, Sílvia Góis. "O envelhecimento na tela: o discurso da velhice ativa em programas de TV e documentários". Novos Olhares, v. 6, n. 1, 2017.

Envelhescência é um dos quatro objetos analisados, ao lado de uma série de reportagens do Jornal Nacional, de uma reportagem do Mais Você e da série documental Muitos anos de vida, da GNT. É o único de cinema, e tem seção própria.

Livro acadêmico internacional

Ageing with Smartphones in Urban Brazil

DUQUE, Marília. Londres: UCL Press, 2022, p. 40. Acesso aberto.

Numa etnografia com idosos de um bairro de classe média de São Paulo, a pesquisadora registrou que o documentário aparecia por conta própria nas redes sociais e nos grupos de WhatsApp que ela observava.

O livro traz o depoimento de uma participante da pesquisa, que assistiu ao filme depois que uma amiga compartilhou, e que na época planejava começar a trabalhar com programas de educação para pessoas idosas.

Trabalhos de conclusão de curso

Universidade de Caxias do Sul

ROMANI, Caroline Susin, 2020. GIOVANAZ, Natália Caumo, 2022. Psicologia, UCS.

Dois trabalhos de conclusão de curso usaram o filme como corpus de pesquisa. Um analisou 22 cenas à luz da Logoterapia de Viktor Frankl. O outro analisou 25 cenas para discutir o idadismo e as crenças da sociedade sobre a velhice.

Esses trabalhos criticam o filme. Examinam como as imagens de velhice ativa funcionam socialmente e o que elas cobram de quem as assiste. Estão registrados aqui por isso mesmo: um filme vira objeto de estudo quando dá o que discutir.


V

Onde estudantes escreveram sobre os filmes

Entre 2018 e 2025, estudantes publicaram resenhas, análises críticas e trabalhos de avaliação em plataformas abertas. As instituições e disciplinas identificadas:

Quem publicou foram os próprios estudantes, por conta própria. A instituição aparece porque cada um informou o curso ao subir o arquivo. Além do Aposento e O Envelhecer de Cada Um também aparecem, em trabalhos de avaliação e em análise crítica sobre desigualdade no envelhecimento.


VI

Exibições e origem acadêmica

Envelhescência foi projetado na Sessão Averroés, na Cinemateca Brasileira, realizada pela OBORÉ e dirigida a profissionais e estudantes de medicina e das áreas da saúde. O Envelhecer de Cada Um foi exibido em oficina de um grupo gerontológico em São Paulo.

Em um dos casos, a relação com o ensino não veio depois do filme. Veio antes dele.

O Envelhecer de Cada Um nasceu de um projeto de pesquisa, realizado em parceria entre a Faculdade de Medicina da USP, pelo LIM/66, Laboratório de Investigação Médica em Envelhecimento, e a Newcastle University, no Reino Unido, com financiamento da The Academy of Medical Sciences. Pesquisa: Dra. Claudia Kimie Suemoto. Produção executiva: Lilian Liang e Marcel Hiratsuka. Direção: Gabriel Martinez.

Conversas nas Zonas Azuis, projeto idealizado pela jornalista Lilian Liang e dirigido por Gabriel Martinez, foi construído em diálogo com o Instituto Moriguchi, em Veranópolis, no Rio Grande do Sul, responsável pela mais longa pesquisa longitudinal sobre envelhecimento em curso no Brasil, iniciada em 1994.


VII

Para quem dá aula

Material disponível, sem custo

Autorizo a exibição dos filmes em sala de aula, para fins didáticos, sem cobrança de ingresso e sem custo. Pode passar direto, sem pedir permissão. Só peço que me conte depois.

Se você usou algum dos filmes em aula, em curso ou em material didático, escreva. Este registro depende disso para existir, e saber onde os filmes chegaram ajuda a produzir material melhor para quem vem depois.

gabriel@alemdoaposento.com.br

O que está reunido aqui é o que foi possível verificar. O uso real é maior, porque a maior parte acontece dentro de sala e nunca vira documento público.

Gabriel Martinez em set de filmagem
Sobre

Gabriel Martinez é cineasta nascido em Porto Alegre, radicado em São Paulo. Ao longo de uma década, manteve a câmera apontada para histórias que o Brasil costuma deixar de lado. De São Paulo a Veranópolis, de Okinawa à Sardenha, seus filmes percorrem diferentes territórios em busca de uma mesma pergunta: o que significa, na prática, envelhecer. Quatro documentários depois, o percurso segue em aberto. Envelhecimento é o tema, a escuta é o método.